Há algo de muito errado nos planos e medidas governamentais que impõe fases de restrição, fechamento de comércios, proibição de cultos religiosos e uma série de sacrifícios à economia e aos milhões de brasileiros, desempregados ou não. Alguns chamam de hipocrisia, mas a palavra mais correta para o que acontece no transporte público é desprezo – ou pura maldade. Genocídio? Aqui também tem.

Desde o início da pandemia, não houve um único dia tranquilo para o trabalhador desprovido do privilégio do home-office, sem condução própria ou dinheiro para pagar aplicativos de táxi ou despesas para uma locomoção individual. Ele sai de casa sabendo que estará se expondo ao contágio em condições de extrema gravidade.

Não é preciso ser epidemiologista para concluir: o grau de contaminação nessas viagens compulsórias é altíssimo, previsível e, provavelmente, anula muito de todo o esforço de fechamento dos outros setores da sociedade. Não faz o menor sentido a omissão diante do que deveria ser a maior prioridade.

Não é só contraditório. É criminoso, pois calculado. Qualquer governador ou prefeito sabe que está tripudiando daqueles que entregam suas vidas e as colocam em risco para manter o funcionamento do que, a rigor, impede que o pais todo entre em colapso irreversível.

Passou da hora de cobrar com veemência – e nenhum espaço para tergiversações: enquanto as autoridades não se comprometerem com a saúde e segurança dos passageiros do transporte público, vamos continuar enxugando gelo e contando mortos. O resto é palanque.
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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

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