Médicos, diretores de hospitais públicos e privados, e especialistas em Infectologia fizeram nesta quinta-feira (17) um alerta para a gravidade da atual fase de enfrentamento da covid-19 em Santos. O encontro foi promovido pela Secretaria Municipal de Saúde.  O quadro preocupante em que se encontra o Município aponta a um cenário em que, mesmo com a abertura constante de leitos UTI para receber pacientes com covid-19, o problema passa pela contratação de profissionais de Saúde para estes atendimentos e pela dificuldade na compra de remédios.

“Estamos vivendo uma situação que nunca passamos. Nossos leitos estão se esgotando. Nossa preocupação não é só com mais leitos, mas com a contratação de profissionais de Saúde”, destacou o secretário municipal de Saúde, Adriano Catapreta. Ele deu um panorama do que ocorreu no último fim de semana: sábado (13) foram abertos oito leitos de UTI, e outros 14 foram disponibilizados no domingo (14). “Mas qual é o número suficiente de leitos?”, indagou.

Outra questão apontada por Catapreta é o aumento do tempo de internação de um paciente covid-19. “A média de 12 dias de internação passou para 21 dias. Não há rotatividade de leitos. É fundamental a conscientização da população. Não adianta ter convênio”.

Presidente da Regional Santos da Associação Paulista de Medicina (APM), Antônio Leal lamentou a taxa de isolamento social registrada em Santos: apenas 42%. “Vivemos uma sensação de impotência perante uma doença que ainda é desconhecida”.

O infectologista Marcos Caseiro alertou para o risco da falta de insumos para atender os pacientes, e ressaltou a taxa de mortalidade dos que contraem a covid-19: 38% dos internados em Enfermaria, 59% dos que chegam a um leito de UTI e 80% dos que precisam de intubação. “Não temos outra alternativa a não ser o lockdown já”.

Sugerindo “lockdown para ontem”, o diretor da Sociedade Paulista de Infectologia, o médico Evaldo Stanislau destacou que muitos pacientes apresentam sequelas após se curarem da covid-19. Também deixou claro que “a reinfecção (com o coronavírus) é hoje um fato”. Evaldo afirmou que a entidade que representa “aprova as decisões da Secretaria Municipal de Saúde para salvar vidas”.

Diretor do Núcleo Governança Clínica da Unimed, José Roberto Del Santo relatou ter registrado um pico de atendimento na unidade nos últimos 10 dias. Ele informou ainda que a Unimed registrou 23 mortos por covid-19 somente em fevereiro. “Vamos passar por outras fases da pandemia, e ainda estamos com números altos de dengue e chikungunya”.

Erminda Aluani, diretora do Complexo Hospitalar dos Estivadores e do Hospital Vitória, também se mostrou preocupada com a falta de medicação. “Estamos atendendo com qualidade? Sim. Mas até quando?”, observou, para pedir: “é preciso que vocês fiquem em casa, não pelos profissionais de Saúde, mas por vocês mesmos”.

Diretora técnica do Hospital Guilherme Álvaro, Mônica Mazzurama informou que, antes da pandemia, a unidade contava com 14 leitos de UTI. Atualmente são 50, sendo que 30 estão ocupados por pacientes covid-19. “Não existe tratamento precoce”.

Vice-provedor da Santa Casa de Santos, Carlos Teixeira Filho traçou o quadro de parte dos profissionais que atendem covid-19. “Eles se contaminam, se afastam, se curam, e voltam a atender no setor”. Quanto à ampliação da capacidade de atendimento, afirmou que a Santa Casa até dispõe de espaço físico, “mas não contamos com mão de obra. Estamos chegando no limite”.

Ademir Pestana, presidente da Beneficência Portuguesa de Santos, disse que a situação é tão caótica que a instituição chegou a “celebrar” em fevereiro o registro de nenhuma morte entre os seus 947 colaboradores. Ademir também destacou ter recebido a doação de respiradores, por parte de um empresário. “É hora da aliança do bem. Está na hora de o empresariado colaborar neste momento”.

Diretor clínico do Hospital São Lucas, Marco Cavalheiro foi enfático: “estamos vivendo o colapso do setor. Cidades próximas nos pedem leitos a toda hora. Um ano depois, estamos em uma situação três vezes pior do que no começo da pandemia”.

Um reajuste exagerado no custo dos remédios preocupa o diretor clínico da Casa de Saúde de Santos, Luis Roberto Fernandez. “Estamos com dificuldade de encontrar respiradores e também na parte de recursos humanos”.

Diretor do Hospital Santo Expedito, Cardec Rufino contou que os profissionais dessa unidade estão “extenuados e estressados”.

Luis Carlos Spindola, diretor do Departamento de Atenção Pré-hospitalar e Hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde, disse notar a angústia de quem trabalha na regulação de vagas, diante de tantos pedidos de internação.

Após citar as dificuldades enfrentadas pelos médicos nos plantões, o diretor do Hospital Frei Galvão, Fábio Santos dos Santos pediu: “Fazemos um apelo para que as pessoas fiquem em casa”.

 

Fotos: Susan Hortas

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Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

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